Era uma vez, uma casa.

"O silêncio se escorava com equilíbrio na madeira e nas pedras da Casa da Colina, e o que entrasse ali, entrava sozinho."

Shirley Jackson

O primeiro parágrafo do livro

"A Assombração da Casa da Colina" já nos remete a construção magistral do personagem principal do romance: a casa. Entre ângulos, quartos sinistros e ventos encanados, a história se desenrola abalando o psicológico de cada leitor, assim como o de Eleonor, a co-protagonista (sim, porque divide as páginas com a casa, haha). A autora descreve a casa e seus arredores pelos olhos de Eleonor, e, a cada página, nos transporta para dentro daquelas paredes antigas e tão mal faladas. Eu me apaixonei pela escrita da Shirley com esse livro e ela se tornou uma das minhas autoras favoritas. Se ainda não leu, arrume as malas e embarque num final de semana para a casa da colina, você pode sentir um pouco de medo, mas não vai se arrepender.



O último romance da Shirley, "Sempre Vivemos no Castelo", também tem uma propriedade como personagem importante, a mansão decadente dos Blackwoods. Nesse, acompanhamos Merricat, uma anti-heroína que nos conduz pela vida e dissabores da família que foi quase devastada por uma tragédia sinistra e que é hostilizada pela vila ao redor da mansão. Esse livro é sobre o passado, suas consequências e o lado sombrio da natureza humana. Khaterine Blackwood, aka Merricat, é magistral e já nas primeiras páginas você é tragado por ela e por seu senso crítico. Se ainda não leu, marque um chá das cinco com Merricat e Constance, mas um conselho de amiga: todo cuidado é pouco.